O texto Gramas no meu quintal
relata uma relação abusiva de um pai contra sua filha. O tema exposto é pouco discutido e considerado
tabu em nossa sociedade, porém se faz muito presente.
Pesquisa
realizada no Hospital das Clínicas da
Universidade de São Paulo revela que quatro entre dez crianças vítimas
de abuso sexual foram agredidas pelos próprios pais e três pelos
padrastos. O tio é o terceiro agressor mais comum (15%),
seguido de vizinhos (9%) e primos (6%). Pessoas desconhecidas representam apenas
3% dos casos. Em 88% das violências
sexuais infantis praticadas, o agressor faz parte do círculo de convivência da criança.
A maioria dos casos ocorre com meninas (63,4%) com menos de dez anos de idade.
Foram analisados 205 casos de abusos
com crianças e adolescentes de seis a quatorze anos, ocorridos entre 2005 e
2009. Em sua maioria, elas chegam ao hospital levadas por mães ou responsáveis
legais. Também são encaminhados, em menor número,
casos vindos de conselhos tutelares e abrigos. “É gritante o fato de o pai ser o maior
agressor. Ele é justamente quem deveria proteger”, afirma o psicólogo
e coordenador da pesquisa, Antonio de Pádua Serafim.
Para
ajudar a denunciar esses crimes, há o DISQUE 100. Por ele, podem ser feitas
denúncias de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. O DISQUE 100
funciona diariamente, das 8 às 22h, inclusive nos finais de
semana e feriados. Qualquer pessoa pode utilizar o serviço – adultos, crianças
e adolescentes – e é garantido o anonimato.
Fontes: http://www.brasil.gov.br/governo/2011/05/quatro-em-cada-dez-criancas-vitimas-de-abuso-sexual-foram-agredidas-pelo-proprio-pai-diz-pesquisa. Acesso em 24 de abr. 2017.
http://www.carinhodeverdade.org.br/denuncie. Acesso em 24 de abr. 2017.
Gramas do meu quintal
Certo
dia havia um pai que teve uma linda filha, ahhh!! Mas que linda filha! O amor entre
os dois era extremamente lindo. Sua filha o chamava de “meu herói”, pois tudo
que pedia seu pai realizava. Onde viviam era cercado de matos e seu pai
prevenia-se em mantê-los grandes, para que os vizinhos próximos de sua casa não
olhassem sua bela filha.
Seu
pai costumava trabalhar de noite e voltar só no dia seguinte para brincar com
sua filha. Então, ficava ela naquela casa imensa desprotegida sem nem um apego
ou distração, porém sua imaginação era muito fértil,
tornando o ambiente muito mais agradável.
Com
o passar do tempo, a garota foi crescendo e completou seus exatos 13 anos. Com
a idade, começou a se descobrir e emetir curiosidades sobre seu corpo, obtendo
desejos e prazeres. Até que, um dia, a
garota disse ao seu pai: “Corte os matos do meu quintal! Já não os aguento mais!
Ficar com eles me impregna e faz com que fique me coçando.” Respondeu o pai: “Os
matos são para sua proteção. Você não sabe o que passa na cabeça de um
homem. Vá para seu quarto agora!”
Depois
daquele dia, a menina não era mais a mesma, tinha mudado completamente seu
jeito; ficou maliciosa, ousada, mas ainda não tinha perdido o afeto que tinha
pelo pai. Desobedeceu a suas ordens,
cortado todos os matos do seu quintal. Até que, um dia, seu pai a viu conversando
com um vizinho que beirava no seu muro. Revoltado, ele gritou: “Filha, entre
agora!!!” A menina não lhe deu ouvidos e continuou conversando com o vizinho. Ele
a pegou pelos cabelos e a trouxe para casa. Chorando, a garota disse: “Você não pode me prender por toda a vida!” O
pai retrucou: “Você é minha menininha
e faço o que quiser com você!”
A menina subiu decepcionada, não sabia o que
fazer, então usou sua criatividade para confortá-la como costumara fazer. Seu
pai, aflito e ao mesmo tempo amedrotado por perceber que estava perdendo sua
menininha, chegou a surtar pela noite. Ele pensava seriamente em pôr sua filha
em um colégio interno de freiras ou coisa do tipo, mas não queria perdê-la. No
meio de tantos pensamentos, deu a hora do seu trabalho.
A
menina permaneceu em casa, trancou-se no escuro e ficou ali pensando, usando de
sua criatividade para entretê-la quando alguém entrou no seu quintal. Ela chegou
a ouvir passos entre cheiros até mesmo
sensações, mas sentia dor e desgosto, por ter brigado com seu pai. Gritou ao
vento: “Sinto saudades dos matos do meu quintal!”
Na
manhã seguinte, o pai e a filha não tinham mais tais brincadeiras. O laço que
tinha entre eles não havia mais. Pareciam dois mudos em um velório. A filha
tentava brincar com seu pai, mas já não era mais a mesma coisa. Seu pai não mais
a proibira de nada nem dava qualquer
palpite sobre sua vida...
Após
três meses, a filha começou a sentir enjoos constantes,
vomitava e tinha desejos. Só podia ser um sinal gravidez. Deseperada, a menina
vairava em seu quarto, tentando achar jeito ou maneira de contar para seu pai o
que estava sentindo. Não teve coragem. Sabia ela que ganharia um esporro imenso
e provavelmente seu pai nunca mais iria olhar na sua cara. Chegou a pensar em
tantas vezes que foi avisada para não cortar o bendito mato. Segurou e escondeu
a barriga das melhores formas possíveis, para que seu pai não reparasse tal tragédia. Pensou em tirar, mas seria
muito doloroso e muito perigoso. Chorava ela em voz baixa no seu quarto.
Um
dia, não teve mais como esconder. Chamou seu pai até a sala
e peguntou: “Pai, você me ama?”
Respondeu o pai: “Claro, minha filha. Não há coisa mais valiosa do que você para mim...” Disse a menina, chorando: “Tenho
que te contar uma coisa.” Respondeu: “Diga, minha filha. O que houve?”
Respondeu tristemente: “Estou grávida pai...”
O
pai a levou até o sofá e disse: “Acalme-se, filha, não é
o fim do mundo.” Após o térmíno do choro, ele colocou a mão em sua barriga e
disse: “Estou em dúvidas, filha...” Respondeu ela: “Do que pai?”. “Só queria
saber do que ele vai me chamar... de avó ou de pai...’’
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