domingo, 22 de outubro de 2017

CRÔNICA

GRAMAS DO MEU QUINTAL
            Um certo dia, havia um pai que teve um linda filha. Ahhh!! mas que linda filha! O amor entre os dois era extremamente  lindo. Sua filha a chamava de meu herói, pois tudo que ela pedia seu pai realizava. Onde viviam era cercado de matos e seu pai prevenia-se em mantê-los grandes, para que os vizinhos  próximos de sua casa não olhassem sua bela filha.
            Seu  pai costumava  trabalhar de noite e voltar só no dia seguinte para brincar com sua filha. Então  ficava ela naquela  casa imensa desprotegida sem nenhum apego ou distração, porém sua imaginação era muito fértil, tornando o ambiente muito mas agradável.
            Com o tempo, a garota foi crescendo e completou seus exatos 13 anos. Com a idade começou a se descobrir e a emetir curiosidades sobre seu corpo, obtendo desejos e prazeres. Até que, um dia,  a garota disse ao seu pai: "Corte os matos do meu quintal! Já não aguento mais ficar com eles! Me empregnam e fazem com que eu fique me coçando.  Respondeu o pai: "Os matos são para sua proteção. Você não sabe o que passa na cabeça de um homem! Vá para seu quarto agora..."
            Depois daquela dia, a menina não era mais a mesma. Tinha mudado completamente seu jeito, ficou maliciosa, ousada, mas ainda não tinha perdido o afeto que tinha pelo pai. E desobedeceu a suas ordens, cortando todos os matos do seu quintal. Até que, um dia, seu pai a viu conversando com um vizinho que beirava no seu muro. Revoltado, ele gritou: "Filha, entre agora!!!". A menina não deu ouvidos e continuou conversando com o vizinho. Ele a pegou pelos cabelos e a trouxe para casa. Chorando, a garota disse: "Você não pode me prender por toda vida." O pai retrucou: "Você é minha menininha e faço o que quiser com você..."
            A menina subiu decepcionada. Não sabia o que fazer, então usou sua criatividade para confortá-la como costumara fazer. Seu pai, aflito, ao mesmo tempo amedrotado por perceber que estava perdendo sua menininha, chegou a surtar pela noite. Ele pensava seriamente em pôr sua filha em um colégio interno de freiras ou coisa do tipo, mas não queria perdâ-la. De tantos pensamentos, deu a hora do seu trabalho.
            A menina permaneceu em casa, trancou-se no escuro e ficou ali pensando, usando de sua criatividade para entretê-láa quando alguém entrou no seu quintal. Ela chegou a ouvir passos entre cheiros  até mesmo sensações, mas sentia dor e desgosto, por ter brigado com seu pai.  Gritou ao vento: "Sinto saudades dos matos do meu quintal."
            Na manhã seguinte, pai e filha  não tinham mais tais brincadeiras, o laço que tinha entre eles não havia mais... pareciam dos mudos em um velório. A filha tentava brincar  com seu pai, mas já nao era mais a mesma coisa.  Seu pai não mais a proibira de nada  nem dava qualquer palpite sobre sua vida...
            Após três meses, a filha começou a sentir enjoos constantes. Vomitava e tinha desejos. Só podia ser sinal de gravidez. Deseperada, a menina vairava em seu quarto tentando achar jeito ou maneira de contar para seu pai o que estava sentindo. Não teve coragem. Sabia ela que ganharia um esporro imenso e provavelmente seu pai nunca mais iria olhar na sua cara. Chegou a pensar: "Tantas vezes que me avisou para não cortar o bendito mato..." Segurou  e escondeu a barriga das melhores formas possíveis, para que seu pai não reparasse tal tragédia. Pensou em  tirar, mas seria muito doloroso e muito perigoso. Chorava ela em voz baixa no seu quarto.
            Até que um dia não teria mais como esconder. Chamou seu pai até a sala e peguntou: "Pai, você me ama?" Respondeu o pai: "Claro, minha filha! Não há coisa mais valiosa do que você para mim...". Disse a menina chorando: "Tenho que te contar uma coisa....".  Respondeu: "Diga, minha filha, o que houve?" Respondeu tristemente: "Estou grávida, pai...". 

            O pai a levou até o sofá e disse: "Acalme-se, filha, não é o fim do mundo." Após o término do choro, ele colocou a mão em sua barriga e disse: "Estou em dúvidas, filha." Respondeu ela: "Do quê, pai?" "Só queria saber do que ele vai me chamar...de avô ou de pai...".

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